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domingo, 30 de maio de 2010

Vidros

Sei,
teu coração late ao contrário
no descompasso
do que está indo, de tudo.
Os vidros quebrados
da janela
cortam e ferem o vento
da voz. Dói.
Não esperes nada
desta nada enorme.
Aqui estamos.
Aqui,
neste silêncio de antes,
nesta derrota dos olhos.
Maquiada, a lembrança vacila
e toda essa memória
quem sabe onde ira parar.
Vem,
vamos abrir a janela,
interrogar todos os vazios,
e como último assombro,
quebrar totalmente os vidros
e escrever num dos pedaços
com hálitos e dedos,
poemas, palavras efêmeras
para ninguém mais enxergar.
(Gabriel Gómez)