Estendo sua ausência sobre a toalha,
sirvo café para dois,
e nada falo para ouvir
o que não disse.
Bebo o meu, enquanto o dela espera,
e nem consigo olhar
como não pulsa.
Este frio não é seu,
nem o vazio da minha voz
que morre até a morte,
interminável.
Escrevo para que me seja dado
seu nome
no tom e carência certa,
enquanto digo anjo, lua, boca.
Depois calo.
Tudo falta,
como se não tivesse sido.
Não sei se quero
o que já não existe,
ou ambas as coisas,
ou todas nela mesma.
Recolho a mesa,
a cadeira do lugar
e bebo frio seu café.
As flores de um minuto atrás
secaram.
Disse
o que eu não saberia como,
deste jeito imenso de estar só.
Já somos o silêncio
que seremos.
As perdas não me entendem.
(Gabriel Gómez, "Cerimônias do Silêncio".)
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