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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Soneto da Hora Final



Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente.
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei também, com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo
Eu, calmo, te direi: - Não tenhas medo
E tu, tranquila, me dirás: - Sê forte.

E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos no jardim da morte.

(Vinícius de Moraes)

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