Por puro excesso me aderi a tua escuridão amável
de voar com papeis sujos que o vento carrega,
abraçar memórias quebradas por palavras descompostas,
ligar luzes sem dar tempo às sombras nuas
e esperar me alçar onde teu horizonte se afunda.
Continuar afagando o que dorme sempre,
jogar meias num canto e sentir-me igual a elas,
derrubar espelhos com gente dentro,
de palavras dentro do bocejo
ou cerimônias para não derramar o sal.
Ouvir onde não sai voz,
pensar que ausência era silêncio,
pedir ternura ao inimigo,
da sobra da eloquência na falta da caricia.
De amarras que moram no peito,
sonhar a insônia da vigília
e querer apenas o fio de luz
por debaixo da porta.
Veja,
por puro excesso me aderi a tua escuridão,
mas não foi tão amável assim.
(Gabriel Gómez)
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