
Não é dado a qualquer um penetrar na multidão: tal desfrute é uma arte, e só faz, às expensas do gênero humano, esse lauto banquete de vitalidade quem desde o berço recebeu de uma fada o gosto do disfarce e da máscara, o ódio do domicílio e a paixão da viagem.
Multidão, solidão: termos iguais e conversíveis para o poeta ativo e fecundo.
Quem não sabe povoar a própria solidão também não sabe estar só entre a gente atarefada.
O poeta goza desse incomparável privilégio de poder, quando lhe agrada, ser ele mesmo e um outro. Como essas almas errantes que buscam um corpo, ele entra, se quiser, na personagem de alguém.
(Baudelaire, 1995, p.41)
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