Meias palavras, olhares,
gestos apertados,
refúgios, silêncios,
segredos no vapor do ar.
Tudo aquilo que veste
e despiste a pele de nossas carências.
Do que falta. Do que falha.
O desejo.
Onde não estamos duas vezes iguais.
No não dito, no sussurro da mímica
que ostenta uma geometria sem nós.
Há uma corda com roupa seca
na casa abandonada,
e nela, uma calça guarda
um abismo no bolso.
Há outra corda feita de nó.
Nela amarro cada porém,
cada entretanto e todavia.
E volto a desamarrar.
A tradução é minha,
enquanto leio e
vejo que dormes.
O amor come da sua memória.
Tentar.
Voltar atrás,
onde nada sempre nos espera.
(Gabriel Gómez)
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