Exatamente ali,
mas não apenas,
no adeus,
no último abrir e fechar de olhos,
no último abrir e fechar de malas.
No ponto extremo,
da última página,
do último livro.
Na palavra final.
No tapa, no fogo, na bala.
Na última gota de tinta e sangue.
No último fôlego da respiração
e do latejo fraco do peito.
Na dor, no horror, na chuva.
Quando todos os pássaros
já voaram das mãos
e os silêncios foram ditos.
No último giro das agulhas.
Na última nota do bis.
No pó, caco de nós.
No fio delgado, onde a corda sempre rompe.
Na última batida da porta derradeira.
No pulo, no pulso, na fuga.
Na obscuridade essencial.
No irremediável.
Esconde-se, disfarçado, o começo.
Mas não apenas.
Exatamente ali.
(Gabriel Gómez)
Nenhum comentário:
Postar um comentário