Segundo Leibniz, o que é verdadeiramente real, no sentido de ser real em última análise, é o que não depende de outra coisa qualquer para existir. É o que existe por si mesmo. A ideia é que o que depende de outra coisa deve a sua realidade a essa coisa, sem a qual não existiria.
Daqui segue-se que o verdadeiramente real não pode ter partes. Isto porque se tivesse partes dependeria delas para existir: uma bicicleta não pode existir sem as suas rodas, uma molécula sem os seus átomos.
Daqui segue-se que o que é verdadeiramente real não pode ter extensão espacial, pois tudo o que tem extensão espacial tem partes — as suas partes espaciais.
Daqui segue-se que o materialismo e o atomismo estão errados. O fundamentalmente real não pode ser material, porque não pode ter extensão espacial. Logo, tem de ser espiritual.
(Desiderio Murcho)
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