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quinta-feira, 10 de março de 2011

Esquecimento




Esse de quem eu era e que era meu,
Que foi um sonho e foi realidade
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapar’ceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei,... tacteio sombras... Que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro. A sombra dos meus olhos, a escurecer... Veste de roxo e negro os crisântemos...
E desse que era meu já me não lembro...
Ah, a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!

(Florbela Espanca)

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