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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sou Eu




Sou eu.
Não há personagens alheios.
Não procurem, não salvem
nem torturem outro.
Sou quem escreve e se esconde.
Quem a si mesmo plagia.
O verdugo, a vitima e ator.
O mesmo que sempre volta
e não acaba nunca por chegar.
Quem descreve sua própria dor,
olhando os rostos dos outros.
Quem atira a palavra e
oferece a cara.
Aquele fingidor, desamparado,
sujo de angustia, nu.
Alterador de sentidos.
O último e o primeiro gesto,
limite do verbo,
voz ausente das coisas.
Sujeito, predicado
e versos úmidos, escuros,
que já não interessam.
Não me amem.
Mentiras não me salvam.
Comprei a espingarda
de Hemingway.

(Gabriel Gómez)

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