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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Calar




Silenciar
o vácuo e o repleto
dos olhos
ante o espelho e o esperado.
Silenciar de ser e de sede.

Calar monólogos,
as fogueiras da fala.
Mortos de mudes,
mudos,
entre o não dito e o confiscado.
Romper com lábios o discurso.

Calar como quem ora.
Calar dependências,
seus alvos, temores,
prazeres orais.

Calar como a pergunta
que não quer calar,
mas que cala
na resposta que não
deixa saber.

Calar tudo,
num todo completo.
De mãos juntas,
de lágrimas dispersas.
Calar o aceno,
pelo coração
na boca.

Calar por amor,
de raiva,
de frases.
Calar por ignorar,
saber por calar.
Estar fora do tempo,
escutar sua animação.

Calar, mas
sem trair o poema,
sem dissolver o silêncio,
sem reprimir,
sem abafar
seu traduz.

(Gabriel Gómez)

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