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terça-feira, 10 de maio de 2011

Onde Escondo as Asas?




(Porque enamorar-se é um ato individual, e mesmo que a outra parte não saiba nunca, certas mudanças não podemos fingir nem ocultar...)

Veja,
minhas mãos criam ombros e braços,
e se abrem
de costas ao céu,
e sem vento voam
todas as gaiolas
com meus pássaros.

Onde escondo as asas?

Mãos calam outras mãos
alcançam outros espelhos
e se alongam imensas,
tremulas
como mar.

Veja
finjo que chego com meus pés,
que sou lento,
que não te quero
e não passo do chão.
Mas nem encosto nele,
voo estupidamente nu
neste céu inverso
e seu vazio de revelações.

É o instante que mostra
sem palavras,
com ausência,
cada pássaro na pele
que treme
no brutal silêncio.

Como volto ao chão?

Transparente,

vulnerável.
Nada parece meu
nem o exílio voluntário,
nem teu olhar escrito,
onde a mudez prende
as palavras neste prego.

Veja
Minhas mãos criam ombros e braços!
E se abrem.

Veja
Minhas mãos sem vento acendem!
Onde escondo as asas?

(Gabriel Gómez)

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