Minha voz, amarrada
a uma árvore,
faz cantar pássaros
com outras vozes.
Braços tendidos,
crescem em mim as folhas,
ninhos e um som antigo.
Árvores cantam sua existência
nua de pés, mãos e sol.
Nelas, o vento alivia nuvens,
foge de cores,
lágrimas silvestres,
meias palavras
de voar imóvel.
Cai a chuva
de olhos apertados,
listrando o
céu azul sujo.
Um frágil galho
bebe no chão
outra sede
desta água.
Musgo
como tato,
como impressão digital,
abraço íntimo.
Protegido, agregou carinho,
amparado.
Sou o alheio,
o mais meu que amo.
Tão outra coisa!
Sou o secreto ventríloquo
cheio de pássaros.
(Gabriel Gómez)
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