SOMOS INTEIRAMENTE LIVRES LOGO, INTEIRAMENTE RESPONSÁVEIS.







quinta-feira, 21 de julho de 2011

Não há

Não há esperança.
Nenhuma.
Não há final feliz
qualquer.
Nem outro amanhecer
sem dor.
Haveremos de continuar
sem lágrimas,
respirando a pouca luz,
este sonho,
a vida distraída,
a justiça prometida,
o sempre.
Perguntando-nos:
e se alguém estivesse invadindo?
E se permanecesse aqui,
envolvendo, convidando...?
Alguém que não soubesse
que não há esperança,
apenas postergações da mesma dor,
e mesmo assim, resgatasse a fé,
o abandono, um antes e um depois,
como se importasse,
como importam,
as coisas que foram, caíram,
anteciparam sua morte, batendo,
batendo sempre a mesma porta,
e nós acuados, no canto, sem querer ouvir,
porque não há ninguém,
ninguém para atender,
para levar ou trazer
seu amor.


Não há.

(Gabriel Gómez)

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