A principal causa do sofrimento está na nossa busca perpétua do permanente no impermanente, e nós não só buscamos, mas agimos como se já tivéssemos encontrado o imutável em um mundo cuja única característica certa e que podemos proclamar é a constante mudança; e sempre, no momento em que nós pensamos que conseguimos estabelecer a nossa base sobre algo permanente, a situação muda diante de nós, e o resultado é o sofrimento.
Assim, a idéia de crescimento implica também a idéia de ruptura. O ser interno deve continuamente irromper através da sua casca ou revestimento limitador, e tal irrupção também deve ser acompanhada de sofrimento, não físico, mas mental e intelectual.
E é assim que as coisas funcionam, ao longo das nossas vidas. O problema que surge diante de nós é sempre exatamente aquele que nós sentimos como o mais difícil entre todos os problemas possíveis – e é sempre a única coisa que sentimos que não podemos suportar. Se olharmos para o problema desde um ponto de vista mais amplo, veremos que estamos tentando romper nossa casca no seu único ponto vulnerável; que o nosso crescimento, para ser um crescimento real e não o resultado coletivo de uma série de excrescências, deve avançar no mesmo nível em todos os aspectos, assim como cresce o corpo de uma criança, não primeiro a cabeça e depois uma mão, seguida talvez por uma perna, mas em todas as direções ao mesmo tempo, de modo regular e imperceptível. A tendência humana é cultivar cada parte separadamente, deixando de lado enquanto isso as outras partes. Cada sofrimento intenso é causado pela expansão de alguma parte deixada de lado, uma expansão que é tornada mais difícil pelos efeitos do estímulo colocado em outro lugar.
O mal é frequentemente o resultado de um excesso de ansiedade, e os seres humanos tentam sempre fazer coisas em excesso. Eles não aceitam deixar o bem em paz, fazendo apenas o que a situação exige e nada mais. Eles exageram cada ação e assim produzem carma que deve ser trabalhado em um renascimento futuro.
(H.P.Blavatsky)
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