Morre o sentimento na dicção,
na tradução para sua palavra.
Rouba-lhe o silêncio,
tudo o que cala.
Prego do quadro ausente,
espelho ajustável,
pássaro vazio.
A voz tropeça,
escorrega no verbo,
se desvanece no espasmo.
Disfarça que não dói a dor,
que sente o que sente.
Se esconde na memória.
Deita segredos na fala.
Morre ao tentar explicar...
Ao não querer que a oração
encontre uma palavra que importa
e que ela possa estar apenas no intervalo,
no espaço do fôlego,
alheio a nós. Escuta...
agradece a cruz, os pregos,
a emoção que foge.
O véu serve de abrigo: Indizível.
Poeira de silêncio.
Silêncio de palavra: Dizível.
(O eco de tuas palavras... uma homenagem, com a costumeira ousadia...)
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