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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Roupa morta
Tua voz já não está na minha, respirando, dizendo, refazendo o verso, ajudando-me a falar sem nomes no olhar, sem ver, alguém, ninguém, ninguém. E cala, sozinha cai, se acaba. A palavra pára de todas as palavras pedidas, perdidas, perdoadas. Pede ar, arde, se asfixia. Cheira a tristeza. A última, quebrada, torna-se faca, pó de saliva e língua seca. Morde chamando, desenha com dedos, fala pelos poros, conversa com as mãos, desamarra, esfola, fronteira sem tato não alcança a acariciar-te. Procura uma boca, estopa de faltas, de falas (re)partidas. Enquanto se debate e me deixa.
Apenas ouço, entre um silêncio e o outro, o fogo, teu fogo, teu novo silêncio que queima, roupa morta no corpo, cresce na garganta como último aviso, e se apaga, escapa, já sem nada, vazio, descalço, árvore triste que não olha o céu.
E eis aqui a vida de transparentes vidros e vozes, de pegadas que se recompõem depois de nossa passagem, de cálida pressão, contornos fracos e lados encolhidos, como num inventado e solitário abraço (que dói) a si mesmo.
E ainda que já a ninguém importe, acreditei que importava. E é o mesmo.
(Gabriel Gómez)
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