Escrevo com as mãos vazias
que escavam a língua que já não escuta.
Traduzir seu tecido, o fiapo,
onde elas germinam,
corrói o papel,
atravessam a voz.
Já não falo nem calo...
A falta não perdoa vazios.
Recebe o que te peço:
(tão mesquinho e egoísta),
aquilo que não digo;
come desta fome que fica
e já não temos.
Não te chamo com letras
trincadas pelos dentes,
imito pausas de conversas,
traços, passos que não saem do lugar.
Desfaço o novelo da fala,
não importa o que eu faça,
roubo o som da palavra,
no gesto, no aceno mudo,
e te chamo sem chamar.
Com quanta nada se faz um pouco?
Replico atrás do poema:
escrevo como calo, te chamo,
e calo junto.
(Gabriel Gómez)
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