As cartas não contam nada
como alguns acreditam.
As cartas, como Rubem Alves disse,
são para que mãos separadas se toquem
na mesma folha.
Que separam?
Não sei.
Mas transbordam palavras,
perseguem histórias
e apenas sossegam
quando reveladas.
Que revelam?
Não sei.
Algumas, só lidas pelo fogo,
não chegam a outras mãos
e ardem mudas,
consumidas.
Que calam?
Não sei.
E voltam a guardar segredos
E se anunciam
com outros nomes,
outras tintas
e a mesma morte.
Assim como o silêncio?
Talvez não convém lembrá-las.
(Gabriel Gòmez)
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