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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ofício

Minha escrita,
como alguns palhaços,
já não precisa maquiagem.
Sabe como ouvir-me,
ouvir-se,
sem aparentar dor.
É o seu ofício.


É tarde
e te entrega ao abandono.
O frio traspassa a cortina.


Não escutes o que escrevo,
não bebas desta sede.


As palavras se foram
para chamar-te amor.

(Gabriel Gómez)

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