“[...] A unidade Absoluta não pode transformar-se no infinito, porque o infinito pressupõe a extensão ilimitada de algo e a duração ilimitada deste ‘algo’; e o Todo Uno não é um objeto nem um sujeito de percepção; ele é como o Espaço. O Espaço é a única representação mental e física do Todo Uno nesta Terra ou em nosso plano de existência.
Se alguém pudesse pensar que o Todo Eterno Infinito, a Unidade Onipresente, ao invés de existir na Eternidade se transforma através da manifestação periódica em um Universo multidimensional, ou em uma personalidade múltipla, aquela Unidade deixaria de ser uma Unidade. A idéia de Locke segundo a qual ‘o Espaço puro não é capaz de resistência nem de movimento’ é uma ideia errada. O Espaço não é nem um ‘vazio ilimitado’ nem uma ‘plenitude condicionada’, mas ambos; porque ele está no plano da abstração absoluta, da Deidade sempre incognoscível, que é um vazio apenas para as mentes finitas e no plano da percepção maiávica. O Espaço é o Plenum, o Recipiente absoluto de tudo o que é; seja manifestado, seja não manifestado. Ele é, portanto, aquele TODO ABSOLUTO.
Não há diferença entre a afirmativa do Apóstolo cristão segundo a qual ‘Nele vivemos, nos movemos e existimos’ e a do Rishi hindu: ‘O Universo vive em Brahma, teve sua origem em Brahma, e voltará a Brahma (Brahmâ)’. Porque Brahma (neutro), o imanifestado, é esse Universo in abscondito; e Brahmâ, o manifestado, é o Logos, que é transformado em masculino-feminino nos dogmas simbólicos ortodoxos. O Deus do Apóstolo-Iniciado, assim como o do Rishi, é tanto o ESPAÇO visível como o ESPAÇO invisível. No simbolismo esotérico, o Espaço é chamado ‘o Eterno Mãe-Pai de Sete Peles.’ Desde a sua superfície indiferenciada até sua superfície diferenciada, ele é composto de sete camadas. O Catecismo esotérico Senzar pergunta: ‘O que é que foi, é e será, quer haja um Universo ou não; quer haja deuses quer não?’ E a resposta é: ‘O ESPAÇO’.”...
(H.P.Blavatsky)
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