SOMOS INTEIRAMENTE LIVRES LOGO, INTEIRAMENTE RESPONSÁVEIS.







quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Soneto XVII

Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

E hoje dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como o único bem que me ficou.

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada.

Aves da noite! Assas de horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga nunca.

(Mário Quintana)


Nenhum comentário: